CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: CAMINHO PARA GOSTAR DE LER
Pedagogia – CPAN
TRINDADE, A. F.[1]
CAETANO, K. A. S. 1
CRUZ, R. S.1
FRANÇA, D. S.2
GARCIA, E. S. G.[2]
RESUMO
O projeto foi criado com base nas observações realizadas em sala de aula e das discussões realizadas nos encontros do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID), ao percebemos que as crianças não demonstram interesse pela literatura quando esta é usada como ferramenta para a alfabetização. Assim, buscamos por meio de ações lúdicas estimular as crianças para que elas sintam prazer com a leitura de obras literárias, deixando a criatividade tomar conta da imaginação. A contação de histórias é muito importante para o desenvolvimento das crianças, até mesmo para aquelas que já sabem ler, uma vez que, ao ouvi-las, elas aprimoram as capacidades de pensar, desenhar, criar e recriar. Com isso, o professor se torna peça fundamental para que a literatura possa impactar de forma positiva na vida das crianças, uma vez que ele é o mediador e deve favorecer o diálogo entre leitor e livro. O objetivo deste projeto é fazer contações de histórias por meio de ações lúdicas, propiciando aos alunos uma experiência significativa, fazendo com que eles ampliem a visão de mundo, tendo uma maior interação com os livros, tomando gosto pela leitura ao ponto que a mesma lhes dê prazer e satisfação. Para as contações de histórias serão utilizados os livros “O mirabolante doutor Rocambole”, de Ana Luiza Figueiredo, “A maior flor do mundo”, de José Saramago e “Lúcia já-vou-indo”, de Maria Heloísa Penteado. Nesses encontros teremos momentos, ainda, para que os alunos possam refletir, dialogar e criar a sua história e, por fim, será elaborado um mural para a exposição dos trabalhos. Esperamos que os alunos despertem o interesse pela literatura e o gosto da leitura, que eles compreendam que uma história pode ser lida ou contada de diversas formas e este processo vai dotá-los de diferentes conhecimentos.
Palavras-chaves: Literatura. Leitura deleite. Ludicidade. Contação de história. Aprendizagem.
- INTRODUÇÃO
De acordo com as vivências na instituição escolar e os debates realizados em encontros do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID) percebemos a enorme carência (ausência) nas escolas em relação à leitura pelo simples gosto de ler, ou a leitura deleite. Deparamos, na maioria das vezes, com a leitura sendo trabalhada em sala de aula com finalidades específicas, sendo algumas delas referentes à alfabetização e a decodificação das palavras, tornando-as como dever e não prazer, fazendo com que as crianças perdessem o interesse pela mesma, sendo que esta se tornou em simples obrigação e desestimulante.
A partir destas constatações, elaboramos o projeto de contação de histórias com a intenção de despertar o gosto e o interesse pela leitura, assim como despertar o gosto por obras literárias, pois, é através desse processo que a criança desenvolve a imaginação, sentimentos e emoções.
- JUSTIFICATIVA
A contação de histórias é muito importante para o desenvolvimento das crianças, até mesmo para aquelas que já sabem ler, uma vez que, ao ouvi-las, elas aprimoram as capacidades de pensar, desenhar, criar e recriar.
Magalhães (2009) afirma que nessa fase é preciso centrar esforços no sentido de criar o gosto pela leitura. Isso significa incentivar a fruição do texto, o prazer da leitura, o alargamento da sensibilidade, da imaginação, da criatividade.
Inicialmente, a apresentação dos textos literários para crianças pode ser feita através da leitura em voz alta, em momentos propícios para a contação dessas histórias. Abramovich (1999 apud COSSON, 2016) destaca a relevância que tem propiciar esses momentos para formar um leitor, destacando o valor da oralidade para a manifestação literária: “[…] como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias. Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser um leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descobertas e compreensão do mundo […]” (ABRAMOVICH, 1999, p. 14 apud COSSON, 2016, p.58).
Para Coelho (2000), é de suma importância destacar que nesses encontros com os livros as crianças necessitam da mediação de um adulto, no caso das escolas esse adulto é o professor. É dele a responsabilidade de criar e planejar situações de ensino que possibilitem ao aluno o acesso ao texto literário e seus diversos gêneros, bem como despertar o fascínio pela leitura, não a tornando uma obrigação imposta somente para a prática de alfabetização.
De acordo com Chagas e Domingues (2015), a formação literária é uma tarefa muito importante, principalmente para os professores que atuam nos três primeiros anos do ensino fundamental.
Conforme Martins (1984, p. 34 apud FRANZ, 2005, p. 39),
A função do educador não seria precisamente a de ensinar a ler, mas a de criar condições para o educando realizar a sua própria aprendizagem, conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias, segundo as dúvidas e exigências que a realidade lhe apresenta. Assim, criar condições de leitura não implica apenas alfabetizar ou proporcionar acesso aos livros. Trata-se, antes, de dialogar com o leitor sobre sua leitura, isto é, sobre o sentido que ele dá, repito, a algo escrito, a um quadro, a uma paisagem, a sons, imagens, coisas, idéias, situações reais ou imaginárias.
Assim, o professor como mediador dessa relação deve favorecer o diálogo entre leitor e livro. Paiva e Oliveira (2010) ressaltam que é imprescindível que os educadores enxerguem o aluno como parte essencial deste processo, promovendo a interação texto-leitor, não podendo fazer do processo educativo uma corrente de mão única.
Nesse processo, os educadores têm que assumir o papel principal sobre o planejamento das atividades de literatura que serão desenvolvidas com seus alunos, eles devem ter clareza sobre sua metodologia, despertar questionamentos e promover a construção de novos significados, propondo um horizonte de reflexão.
Coelho (2000, p.15) destaca essa interação entre leitor e aluno ao assinalar que “[…] a literatura, em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no convívio leitor\livro, seja no diálogo leitor\texto estimulado pela escola”.
Ainda conforme esta autora, a escola é o espaço privilegiado em que devem ser colocados alicerces do processo de autorrealização vital/cultural que o ser humano inicia na infância e prolonga até a velhice.
Deve ser um espaço libertário e orientador para que possa permitir ao educando o acesso às obras literárias, bem como ser estimulado para a leitura da mesma. Porém, a realidade nas escolas é outra. De acordo com Cosson (2016), o lugar da literatura tem sido desde sempre associado ao aprendizado da escrita (alfabetização), deixando de ser material para o prazer da leitura, transformando-a em material para ensino escolar (decodificação).
Este autor ressalta que umas das consequências sobre a limitação da literatura como material escolar para a alfabetização é a associação negativa que o aluno faz, deixando de ser uma prática prazerosa e se restringindo a uma prática imposta e mandatória, fazendo com que o aluno perca o interesse por ela.
A literatura como forma de leitura prazerosa também faz com que o leitor adquira novos conhecimentos. Segundo Paiva e Oliveira (2010, p.33),
[…] a leitura prazerosa não exclui a aquisição de conhecimentos, ao contrário disso, por meio de textos abertos e variados, o leitor é estimulado à curiosidade, assimila novas informações e experimentam diferentes emoções, construindo, desta forma, novos conhecimentos.
Diante destas considerações, este projeto pretende, através da contação de história, resgatar e despertar nas crianças o gosto pela leitura na tentativa de formar uma nova mentalidade a respeito do ato de ler, usando, para isso, a Literatura Infantil a partir da contação de história.
- OBJETIVOS
Fazer a contação de histórias por meio de atividades lúdicas, fazendo com que a experiência possa ser significativa e gratificante, propiciando uma maior interação entre eles com os livros, fazendo com que sintam prazer e despertem o gosto pela leitura, além de ampliar a visão dos alunos a respeito de novos horizontes, novas reflexões e questionamentos sobre a realidade.
- METODOLOGIA
O projeto didático será desenvolvido nas turmas de 3º ano do Ensino Fundamental. Durante o ano de 2017 realizaremos intervenções com as turmas, através de momentos lúdicos de contações de histórias. Para isso, escolhemos três livros: “O mirabolante doutor Rocambole”, escrito pela autora Ana Luiza Figueiredo, que conta a história de como um menino diferente e um médico especialista em diferenças se encontraram numa solução mirabolante. Ela enfatiza o autoconhecimento, solidariedade e a aceitação das diferenças. O segundo livro, da autora Maria Heloisa Penteado, “Lucia já-vou-indo” narra a história da Lúcia que faz tudo muito devagar, por isso sempre está atrasada, afinal é uma lesma. Ela recebe um convite de aniversário da amiga Chispa-Foguinho e logo se anima e começa a se arrumar uma semana antes para chegar a tempo na festa. Será que dará tempo da Lúcia aproveitar a festa? Por fim, o terceiro livro “A Maior Flor do Mundo”, do autor José Saramago, narra a transformação de Saramago expondo a sua vontade de escrever um livro infantil, com isso apresenta a história de um menino que cuida de uma flor e a torna a maior do mundo.
Para tanto, realizaremos dez encontros para o desenvolvimento do projeto, sendo que o mesmo terá duração de dois meses. Faremos a apresentação sucinta da vida e obra dos autores; contação das histórias por meio de ações lúdicas; contato com os livros; rodas de conversa; elaboração de cartas, desenhos e novas histórias; oficinas; e a exposição do material em um mural.
Encerraremos o projeto com uma oficina na própria sala de aula, onde iremos expor todo o material criado por eles ao longo dos nossos encontros. E após toda a exposição, terá um coffee break para finalizar. E, cada aluno levará para casa o que produziu.
- RESULTADOS
Por meio deste projeto esperamos que os alunos despertem o interesse pela literatura e o gosto da leitura. Que eles compreendem que uma história pode ser lida ou contada de diversas formas e este processo vai dotá-los de diferentes conhecimentos.
REFERÊNCIAS
CHAGAS, Lilane Maria de Moura; DOMINGUES, Chirley. A literatura infantil na alfabetização: a formação da criança leitora. Perspectiva, Florianópolis, v. 33, n. 1, p.77-95 jan./abr. 2015.
COELHO, Nelly Novaes. A literatura infantil: abertura para formação de uma nova mentalidade. In ______. Literatura infantil: teoria – análise – didática. São Paulo: Moderna, 2000. p.14-32.
COSSON, Rildo. Literatura infantil em uma sociedade pós-literária: a dupla morfologia de um sistema cultural em movimento. Pro.posições, Campinas, v. 27, n. 2, p. 47-66, maio/ago. 2016.
FIGUEIREDO, Ana Luiza. O mirabolante doutor Rocambole. Parati-RJ: Selo Off-Flip, 2016.
FRANTZ, Maria Helena Zancan. O Papel do Professor. In ______. O ensino da literatura nas séries iniciais. Ijuí; Unijuí, 2005. p. 45-48.
MAGALHÃES, Hilda Gomes Dutra, A importância das leituras de livre escolha na formação do leitor. Via Atlântica, São Paulo, n.14, p. 119-128, dez./2008
PAIVA, Sílvia Cristina Fernandes; OLIVEIRA, Ana Arlinda. A literatura infantil no processo de formação do leitor. Cadernos da Pedagogia. São Carlos, v. 4, n. 7, p. 22-36, jan./jun. 2010
PENTEADO, Maria Heloísa. Lúcia já-vou-indo. 30. ed. São Paulo: Ática, 2012
SARAMAGO, José. A maior flor do mundo. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001.
[1] Bolsista de iniciação à docência do PIBID/PEDAGOGIA/CPAN/UFMS
[2] Professoras Coordenadoras de Área PIBID/PEDAGOGIA/CPAN/UFMS
