A ciranda de roda no chão da cultura pantaneira
PEDAGOGIA/CPAQ
DOMINGOS G. T.
JUNIOR O.T.
MARCELINO L.C.
OTTOBONI D. C.
SILVA A.L.G.
SILVA A. D. N.
Resumo: O presente texto objetiva relatar as ações realizadas no Projeto: Cultura Pantaneira no Chão da Escola com o apoio da CAPES pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) no Curso de Pedagogia da UFMS/CPAQ, desenvolvido na Escola Estadual Professor Antônio Salústio Areias. Temos como premissa o resgate da cultura pantaneira do Estado de Mato Grosso do Sul, mais especificamente na região de Aquidauana conhecida como Portal do Pantanal. Os encaminhamentos metodológicos estão pautados na linguagem lúdica e artística diante da tarefa de explorar peculiaridades regionais na roda de ciranda nascida no pantanal. Para tal focalizamos uma multiculturalidade rica em diversos aspectos do folclore regional, espaços onde pantaneiros assentem a magia especial irradiada pelas pessoas que vivem nesta região. Utilizamos como referência teórica dados oficiais como IBGE, Brasil (2015), entre outros, autores como Sigrist (2000), Sodré (1986). Em se tratando de preservar nossas tradições o tema não se esgota, mas já podemos apontar que a comunidade escolar, em todos os segmentos, tem hoje maior interesse pela história pantaneira. Construímos um olhar diferenciado, estabelecendo mais laços com a cultura sul-mato-grossense, preservando nossas tradições e mantendo a roda viva da ciranda.
Palavras chaves: Tradição, Folclore, Cultura.
Introdução
Nas ultimas décadas o pantanal Sul Mato Grossense tem se visto perdendo grande parte de sua cultura. E, justamente buscando por este resgate, na condição de bolsistas apoiadas pela CAPES no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência na UFMS/CPAQ é que, o projeto no Chão da Cultura Pantaneira tem como objetivo identificar os traços e elementos culturais da região pantaneira, com destaque para a região de Aquidauana. As ações são desenvolvidas na Escola Estadual Antônio Salústio Areias e coordenadas pela Profa. Dra. Ana Lúcia Gomes da Silva, sob a supervisão da professora Denair Ottoboni M. Castro e do professor Orestes Toledo Junior.
Propomos algumas reflexões na Ciranda Pantaneira diante das discussões que estão em pauta no nosso texto, especialmente, para àquelas que buscam compreender a cultura pantaneira, bem como as tradições e o folclore da região.
Pantanal Sul-Mato-Grossense
De acordo com fontes apresentada pelo ministério do meio ambiente, o pantanal é uma área de terra que compreende uma expansão aproximada de 150.355 km² (IBGE, 2004), ocupando assim 1,76% da área total do território brasileiro. Em seu espaço territorial o bioma é uma planície influenciada por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai e envolve os Estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, avaliada como a maior área alagada da terra.
Localiza-se na bacia hidrográfica do Alto Paraguai, faz fronteira com a Chapada mato-grossense ao Norte, a leste com o Planalto Brasileiro, e a oeste existe uma cadeia de terras altas. O Pantanal recebe o nome de “complexo do pantanal” por possuir vários tipos de vegetações distintas. . Apenas 4,6% do Pantanal encontram-se protegidos por unidades de conservação, dos quais 2,9% correspondem a UCs de proteção integral e 1,7% a UCs de uso sustentável (BRASIL, 2015).
A vida no Pantanal não é uma empreitada fácil, apesar da imagem de paraíso. É difícil amoldar-se ao pulso anual de inundação e ao isolamento promovido pelas águas.
O Pantanal sul-mato-grossense é o lugar único onde o homem foi sempre estabelecido pelas viagens longas com a família procurando as terras secas, uma vida melhor.
Aquidauana – MS (Portal do Pantanal)
Cidade do estado do Mato Grosso do Sul na região Centro Oeste do Brasil, distante à 140 km da capital Campo Grande, tem uma população em média de 47.323 habitantes e tem uma área territorial de 16.970,711 km², baseado em dados do IBGE (2016). Fundada em 15 de Agosto de 1892 a economia local é baseada na agropecuária. Aquidauana é um autêntico paraíso povoado por exuberantes espécies da fauna e flora que podem ser identificados em todos os cantos da região.
O Pantanal de Aquidauana, assim como o de Miranda é definido mais como pantanal alto, sendo menos afetado pelas enchentes do que outros pantanais, embora a cidade seja afetada pelas esporádicas enchentes do Rio Aquidauana. Aquidauana é conhecida como o Portal do Pantanal, por ter um dos mais belos ecossistemas do mundo. Sempre de portas abertas para receber os visitantes. Com muitas atrações, a cidade encanta com seus cenários únicos (Jornal O Pantaneiro).
Tradições sul mato grossenses: folclore na cultura regional
Podemos dizer que a cultura local a qual é mencionado nesse trabalho, adaptou-se com enormes contribuições dos imigrantes. Os povos paraguaio e boliviano ocasionaram grandes contribuições na tradição culinária. O tereré, mate gelado, é costume dos Guaranis e símbolo de toda a região onde amigos se localizam nas rodas para colocar as conversas em dia e se refrescar. Já é um costume incorporado a grande parte da população urbana de Mato Grosso do Sul. Na música, existem comentários e ritmos únicos da região, como o siriri e o cururu, sons tirados da viola-de-cocho, instrumento rústico, feito do tronco de árvores e que antigamente tinha cordas de tripa de bugio.
É grande a extensão dos ritmos paraguaios, como a guarânia, a polca e o rasqueado, difundidos no Mato Grosso. Bailes com esses ritmos, associados ao vaneirão e ao xote dos gaúchos, são frequentes nos municípios do pantanal. Também foram criados muitos clubes de laço e feiras agropecuárias. Datas religiosas eram motivos para grandes festas nas fazendas, as famílias se deslocavam em carros de boi. Alguns fazendeiros procuram manter essa tradição, mesmo com nuances mais modernas.
Em desempenho dessas “contribuições”, Sigrist (2000) diz que é comum as pessoas se perguntarem: “Será que podemos distinguir a cultura popular de Mato Grosso do Sul das demais regiões?” Esta pergunta é respondida de forma parcial durante os estudos da obra da autora:
As manifestações populares tradicionais podem ser entendidas como folclóricas, porque são representativas da tradição; aprendidas junto à comunidade, por imitação e passadas de geração a geração, em transmissão empírica, distanciada das formas eruditas de ensino, como: escolas, academias, instituições em geral. Elas se ampliam com base no contexto das práticas culturais locais e, por isso, refletem esse contexto na linha melódica, nos versos cantados, na indumentária, na estética, nos movimentos, na temática, enfim, no sentido que se dá a elas. (SIGRIST, 2000 p. 7).
Mas, se tratando de tradições pantaneiras, o que apontou intensamente foi a cultura regional nos hábitos contraídos das fronteiras, principalmente com o Paraguai. Demonstra não somente as características culturais, como nos leva por meio dela à concepção da subjetividade do Ser e de todo uma origem populacional, colocando em destaque ações significativa de maneira, individual que surge no imaginário grupal.
A dança é um meio de comunicação pelo qual se proporciona a cultura mestiça popular de Mato Grosso do Sul, e a roda de ciranda é uma dança. Em Mato Grosso do Sul, as quadrilhas estão e algumas associações, numa tentativa de aproveitar-se do folclore. São incomuns os grupos originais influentemente no meio rural, que conservam algumas partes da quadrilha, como contra danças implantadas nas comemorações locais, entre elas, a ciranda de roda.
As cantigas de roda, também conhecidas como cirandas são brincadeiras que incidem na formação de uma roda, com a participação de crianças, que cantam músicas de caráter folclórico, seguindo coreografias. São muito destacadas em escolas, parques e outros espaços de convivência infantil. As músicas e coreografias são criadas por anônimos, que adaptam músicas e melodias. Conduzidas oralmente, as letras das músicas são simples e originam temas do universo infantil.
O Homem Pantaneiro
O termo Homem Pantaneiro é empregado, neste estudo, de forma genérica para apresentar todos os habitantes da localidade do Pantanal, independente de serem moradores nascidos e criados nesse espaço, de serem peões ou pescadores, fazendeiros ou outra profissão
No olhar de uma estudante nascida e criada em Campo Grande, a capital do pantanal sul-mato-grossense, nasceu poesia em uma das suas viagens realizadas com seus pais. A jovem distante de sua terra e com saudades de suas tradições escreveu em forma de poesia, uma singela homenagem ao homem pantaneiro. Assim pronuncia Caroline Quinteiro:
Sou Pantaneiro; sou boiadeiro.
Berrantero, sertanejo sou.
Gaiteiro, violeiro; sou farreiro.
Emociono-me com sertanejo pé de serra.
Sou amante de churrasco e de tereré.
Sou pescador, laçador, e cantador.
Sou devoto, da Mãe Aparecida, eu sou caipira.
Sou gente fina, de chapéu, e de botina.
Sou Pantaneiro (Caroline Quinteiro).
Com este olhar poético refletimos sobre quem é hoje o morador peculiar do pantanal sul-mato-grossense? É o índio que mora na região desde sempre ou são os criadores de gado, descritos por Almir Sater nas suas belas canções? O Pantanal é de fato um lugar privilegiado para se viver?
Tais indagações nos levaram a adotar alguns encaminhamentos para desenvolvimento das ações da proposta que por ora apresentamos.
Metodologia na ciranda de roda pantaneira
Os encaminhamentos metodológicos estão pautados na linguagem lúdica e artística diante da tarefa de explorar peculiaridades regionais na roda de ciranda nascida no pantanal. Para tal focalizamos uma multiculturalidade rica em diversos aspectos do folclore regional, espaços onde pantaneiros assentem a magia especial irradiada pelas pessoas que vivem nesta região. Utilizamos como referência teórica dados oficiais como IBGE, Brasil (2015), entre outros, autores como Sigrist (2000), Sodré (1986).
O exercício de docência levou-nos aos estudos e pesquisas valendo-se de recursos como a música Ciranda de roda do grupo ACABA. Trabalhamos a dança, a leitura com os versos pantaneiros, e o artesanato, proporcionando a esses alunos uma aula diferenciada. Tomamos também como fonte de inspiração no projeto o Grupo de Dança folclórica Camalote. – antigo Grupo Sarandi Pantaneiro – criado e dirigido pela Profª. Msc. Marlei Sigrist, pesquisadora de renome nacional quando o assunto é a cultura regional popular de Mato Grosso do Sul. Sigrist é reconhecida pelo seu caráter cultural ligado ao Ponto de Cultura Camalote e à Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore. Para entender a dança sul-mato-grossense, em particular do Grupo Camalote é imprescindível que se entenda os códigos semióticos da dança de tal região, bem como dominar determinadas opiniões próprias de dada cultura.
Foram realizadas reuniões com a coordenação, supervisores e posteriormente com os professores da escola para esclarecimentos de dúvidas sobre o projeto, e então em comum acordo, ficou decidido que cada sala representaria um tipo de cultura. Assim, nosso grupo ficou responsável pelo quinto ano do ensino fundamental do período matutino com as danças típicas pantaneira e o artesanato. Nomeadamente nosso grupo formou-se pelas pibidianas de pedagogia: Adriele Davalos Neres da Silva, Gizlaine Tereza Domingos e Lilian Corrêa Marcelino.
As orientações interdisciplinares auxiliaram para explorarmos a arte e o artesanato com a professora de ciência na fabricação de sabão caseiro, feito de óleo reciclável um produto que é produzido e utilizado pelas famílias pantaneiras por ser de extrema necessidade na limpeza de suas casas e utensílios, a produção é bem aceita, uma vez que as famílias tem dificuldade de acesso aos grandes centros para adquirir produtos industrializados.
Momentos bem instigantes foram acontecendo como as danças ao som do grupo ACABA. A Ciranda de Roda foi coreografada com a colaboração da professora e, pela música os alunos conheceram um pouco mais da fauna e da flora da nossa região, por vezes, tão mal cuidadas.
Por ultimo a culminância entre toda comunidade escolar, acadêmicos e familiares, etapa onde todos tiveram a oportunidade de apresentar seus trabalhos e também conhecer a autora da obra referência, compartilhamos nossas experiências com o projeto e também conhecemos um pouco mais a vida e a história da autora.
Considerações finais em espaços e tempos pantaneiros
Para que uma região consiga determinar sua cultura, é imprescindível a realização de várias etapas e, portanto, ter um bom tempo para que os costumes se virem típicos daquele lugar. Um fator que contribui muito para ter um sentido cultural é a influência folclórica. Esse sentido torna o termo cultural ainda mais confuso, pois o que se entende por folclore é relativo, já que cada Estado possui suas lendas e causos SODRÉ (1986).
Em se tratando de preservar nossas tradições o tema não se esgota, mas podemos apontar que a comunidade escolar, em todos os segmentos, tem hoje maior interesse pela história pantaneira. Construímos um olhar diferenciado, estabelecendo mais laços com a cultura sul-mato-grossense, preservando nossas tradições e mantendo a roda viva da ciranda.
Acreditamos que os alunos aprenderam de maneira diferente, sentiram-se parte integrante em cada pedacinho da cultura sul-mato-grossense. Ficou perceptível que houve compreensão sobrea cultura pantaneira, bem como sobre as tradições e o folclore da região.
E, se ainda nos perguntaram pela história do homem pantaneiro e suas especificidades, respondemos com a ciranda de roda que nos estimula a refletir sobre os trechos dessa canção popular pantaneira do grupo ACABA: “Quem conhece carandá/ Quem conhece camalote/ Quem conhece tarumã/ É do Pantanal”, e a partir daí, identificar os traços e elementos culturais da região pantaneira. Escrever algo novo sobre as relações entre cultura e educação é um desafio já que, o que se disse sobre esse binômio até os dias atuais é da mais alta relevância. Ainda assim, ele parece sempre novo, a nos desafiar.
Referências:
IBGE. Mapa de Biomas e de Vegetação. 2004. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/21052004biomashtml.shtm
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação – CNUC (2010). Disponível em: http://www.mma.gov.br/areas-protegidas/cadastro-nacional-de-ucs.
SIGRIST, Marlei; Chão Batido, A cultura popular em Mato Grosso do Sul. 2ªedição revisada e ampliada.
Fonte: http://letras.terra.com.br/almir-sater/127233/, acesso em 26 de agosto de 2017.
http://artigosmarleisigrist.blogspot.com.br/2015/04/documento-aberto-as-instituicoes.html
