GUIA PRÁTICO PARA HORTAS ESCOLARES
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL / CPTL
Freitas, B. R. C.
Cadamuro, R. D
Belini, L. S.
Santos, V. C. S.
Santos, V. S
Bordino, L. F.
Santos, N. M.
Rebustini, M. E
Palavras-chave:
Guia didático; Horta escolar; Educação Básica
Introdução:
O trabalho apresenta um guia didático, que auxiliará os professores da Educação Básica durante suas atividades em sala de aula, por meio da utilização da horta escolar. Os temas a serem desenvolvidos, neste caso, referem-se a educação ambiental, alimentação saudável e ciências da natureza.
A horta escolar pode funcionar como um laboratório a céu aberto, que possibilita a união da teoria e a pratica de forma contextualizada, o que auxilia o processo de ensino-aprendizagem. Além disto, pode-se obter um estreitamento das relações entre os alunos, por meio do trabalho coletivo e cooperativo, o que envolve simultaneamente dois processos complementares e indissociáveis: o cuidar e o educar (Dias, 2004).
As atividades desenvolvidas na horta, permitem que o aluno construa seu próprio conhecimento, posto que participa da produção das hortaliças e as consome. Considerando que estas são fontes de vitaminas, sais minerais e fibras, atua-se ainda na promoção de uma alimentação saudável. Isto desperta nos alunos mudanças em seu comportamento alimentar, e ainda segundo Turano (1990), pode se estender à família e à comunidade. Este conhecimento construído ativamente pelos alunos e passado por eles para a comunidade, foi bem discutido por Vygotsky (1988).
A educação ambiental já faz parte do currículo de muitas escolas, mas, na pratica, os professores ainda têm dificuldades em lidar com esses temas (Educação, 2002). Sendo assim, a horta pode ser considerada como um forte instrumento que pode auxiliar na solução dos problemas enfrentados pelos profissionais desta área.
Referencial teórico:
A partir do contato que o sujeito tem com os objetos de conhecimento, ativa-se a produção de significados, que leva ao amadurecimento do indivíduo, o deixando pronto para a construção do próprio conhecimento (Silva, 2012 p.60).
Ao implementar a horta no ambiente escolar visamos trazer grandes vantagens para todo corpo escolar, como: diminuir gastos com a alimentação, propiciar a colaboração dos alunos, ampliar os conhecimentos vivenciados em sala de aula e em seu cotidiano, estimular o interesse pelos temas desenvolvidos com a horta, além de possibilitar uma alimentação mais saudável para a comunidade escolar (Jardzwski, 2008).
A horta tem sido um verdadeiro laboratório ao ar livre para as aulas, de Ciências, educação ambiental entre outras disciplinas. Como observa Jardzwski (2008) “Essas experiências ao vivo despertam o interesse pelas aulas. Os estudantes pesquisam e debatem mais os assuntos. Vindo firmar o que Alves (2004), diz: “respeito à vida cotidiana não é apenas lócus de repetição, é também, e, sobretudo, espaço/tempo de produção de conhecimentos, válidos e necessários e a partir do contato com a horta e a participação nas atividades relacionadas a ela, desperta-se a valorização de estudos relacionados à educação ambiental”.
A educação deve sempre ter como centro os homens e seus valores, como discute Saviani (2013, p.46) tendo um sentido livre de intervenção na situação em que se encontra, buscando a comunicação e colaboração entre os homens. Neste sentido, observa-se que ações desenvolvidas na horta, têm funções educativas, onde ações colaborativas podem ser desenvolvidas e os resultados compartilhados entre os alunos e com a comunidade.
Justificativa:
O guia para professores é importante para complementar a escassa literatura da educação ambiental e alimentar direcionadas a estes profissionais. Será um instrumento auxiliar para professores do Ensino Fundamental e Ensino Médio, em suas ações nas aulas práticas de ciências e biologia. A confecção da horta com a participação ativa dos alunos promove a integração social entre o ambiente escolar e a comunidade.
Desta forma, as ações sugeridas pelo guia, podem ser úteis para a aproximação dos alunos à escola e vice-versa, contribuindo para a compreensão de sua importância para o meio em que vivem, tanto escolar como comunitário. Isto porque estas ações devem ser desenvolvidas em cooperação e mediadas pelo professor.
Descrição da atividade desenvolvida:
Para a realização do trabalho, contamos com a ajuda dos alunos desde os primeiros passos. A primeira sequência didática realizada para o início da horta foi a preparação do solo, sem qualquer insumo agrícola, explanando a sua importância, como por exemplo, os microrganismos que ajudam a fertilização do solo. Dando continuidade à implantação da horta, foram utilizadas garrafas pets como barreira dos canteiros e sementeiras, demonstrando uma das formas de reutilização de materiais, quando as mudas já estavam em desenvolvimento inicial, foram transportadas para os canteiros.
A segunda sequência didática foi analisar o desenvolvimento das hortaliças desde sua germinação até atingirem o ponto de colheita. Em todas as observações efetuadas, com o auxílio de lupas, os alunos esquematizaram a anatomia da planta: raiz, caule e folha, puderam ainda verificar seu desenvolvimento. Lembrando que estas hortaliças podem ser deixadas para o estágio de floração, quando complementa-se seu desenvolvimento.
Para as sequencias didáticas sobre alimentação saudável, foi realizada uma pesquisa sobre o valor nutricional das hortaliças, bem como o benefício que trazem para o desenvolvimento humano. Foi explicado a forma correta de colheita e higienização das hortaliças, em seguida as hortaliças foram encaminhadas para a cozinha, fazendo parte da merenda.
Na aula pratica de ciências sobre tipos de solos, foi realizada uma sequência didática, utilizando o solo da horta em comparação com outros sem húmus. Sendo efetuada a granulometria dos solos, com o auxílio da lupa, coloração, absorção da agua e benefícios. Os alunos puderam observar a importância do solo humífero na retenção de água e, portanto na maior fixação dos nutrientes para as plantas.
Outra exemplo do conteúdo do guia, foi a sequência didática sobre as partes das flores e dos frutos. Para tanto, os alunos manusearam uma flor de hibiscus presente na escola, nesse manusear eles aprenderam o nome das estruturas da flor: pétala, sépala, androceu e gineceu. Partindo para as partes dos frutos, indagamos se sabiam onde ficava a semente nos morangos, sendo os frutos observados sob lupa, quando puderam verificar que as sementes do morango localizam-se na parte externa do fruto. Foi também observada uma maçã, esquematizando-a na lousa e com o fruto em mãos, foi explicado a função do epicarpo, endocarpo e mesocarpo para a semente. A banana também foi estudada mostrando que as comumente consumidas, não possuem sementes. Após manusearam a maçã, o morango e a banana, notaram as diferenças existentes entre os frutos, sendo que somente as bananas selvagens possuem sementes, sendo esta uma característica obtida por meio da seleção artificial feita pelos seres humanos. Uma outra parte dessa pratica foi apresentar á eles qual a importância da agua de coco, o fruto em si, que no caso, tem função de reservas nutritivas para o embrião se desenvolver. Após os estudos, os frutos foram consumidos pelos alunos.
Em todas as atividades descritas, foi estimulada a interação entre os alunos, bem como a construção de seus conhecimentos, lembrando que os autores destas sequências, agiram sempre como mediadores entre os alunos e o conhecimento a ser construído.
Avaliação didática da atividade desenvolvida:
Na sequencia didática sobre o desenvolvimento das plantas, solicitou-se um diário de bordo onde os alunos puderam expressar, por meio de desenhos e textos, o que entenderam da atividade. Na sequência realizada sobre os valores nutricionais das hortaliças e para a aula pratica de solos, os alunos construíram textos, para avaliação do que compreenderam durante as pesquisas. Na aula sobre as estruturas de flor e fruto, os alunos elaboram um relatório, contendo os desenhos e as anotações sobre as estruturas e peculiaridade das sementes dos frutos estudados.
Por meio da observação dos relatos dos alunos, verificou-se que este guia, deverá servir como instrumento didático auxiliar do professor da Educação Básica, principalmente no que se refere a educação ambiental e alimentar.
Avaliação do impacto da atividade na formação do aluno (feita pelos alunos):
O Programa de Iniciação à Docência (PIBID) oferece aos estudantes do curso de licenciatura a oportunidade de repensar as metodologias de ensino, buscando inovações no campo da didática e das práticas de ensino e, em conseguinte pô-las em prática, dando ênfase na formação inicial e continuada de professores. A realização desse trabalho teve forte impacto na minha formação como docente, pois conforme o desenvolver das atividades, íamos criando experiências que não são possíveis ter no decorrer do nosso curso. No executar do trabalho com a horta, apesar do estágio inicial termos encontrado algumas dificuldades, conforme foi passando o tempo, conseguimos vence-las, proporcionando assim uma melhora na nossa formação, demonstrando como as atividades teórica e pratica se relacionam melhor ao trabalha-las em conjunto. Dispondo os alunos a compreender a natureza e suas particularidades, e expressar as suas percepções em relação ao ambiente natural; além de incitar a curiosidade e responsabilidade dos mesmos com o meio ambiente de um modo geral. No decorrer das atividades desenvolvidas, foi observado a oportunidade de redescobrir conceitos e vivenciar experiências significativas no processo de ensino-aprendizagem.
Referências bibliográficas:
ALVES, N. Criar currículo no cotidiano. São Paulo: Cortez Editora, 2004.
DIAS, A. A.; MORAES M. B. S.; FARIA M. F.; FRITZEN, N. A organização do espaço com a construção de uma horta Lúdica. Florianópolis, 2004.
EDUCAÇÃO, Revista. O Meio pela Metade. Edição 62. São Paulo: Editora Segmento, 2002.
JARDZWSKI, K. Projeto Horta. Disponível em:
http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/1357/projeto-horta. (Acessado em 16 de outubro de 2017, as 9hs e 23min.)
SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 19ª Edição, Autores Associados, Campinas/SP, 290p., 2013.
SILVA, J. A. Educação em Ciências: epistemologias, princípios e ações educativas. Organizadores: Tauchen, G.; Silva, J. A. 1ª Edição,CRV, Curitiba/PR, 175p., 2012.
TURANO, W. A Didática na Educação Nutricional. In: GOUVEIA, E. Nutrição Saúde e Comunidade. São Paulo: Revinter, 1990.
VYGOTSKY, Lev S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Tradução de Maria da P. V. São Paulo: Ícone/Editora da Universidade de São Paulo, 1998.
